Conversão

Proposta comercial de serviço: o que o comprador precisa aprovar

Quem decide a compra muitas vezes não é quem conversou com você. Estruturar a proposta para que outras pessoas a entendam ajuda a decidir o que escrever, o que deixar de fora e o que combinar antes de enviar.

Cena ilustrativa de uma equipe avaliando internamente uma proposta comercial de serviço.

A proposta comercial precisa responder a uma pergunta simples: o contato do cliente consegue explicar esse documento a quem não esteve na reunião? Se consegue, a aprovação interna tende a ser mais fácil de conduzir. Se não consegue, o documento depende da sua presença para ser entendido, e dificilmente você estará em todas as conversas internas. O modelo abaixo ajuda a conferir se essas respostas estão claras no documento.

Do problema ao próximo passo. Problema combinado: Nas palavras do cliente Escopo e opções: O que entra, o que não entra, alternativas Premissas e prazo: O que depende de cada lado Próximo passo: Uma ação, um responsável, uma data
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Quem lê a proposta além do seu contato

Em algumas empresas, a proposta circula entre pessoas que não participaram das conversas, como um diretor, alguém de finanças ou o jurídico. Cada uma pode olhar o documento com uma pergunta diferente: o diretor, qual problema será resolvido; finanças, qual é o valor e como será pago; o jurídico, o que está sendo prometido e por quem. Por isso, vale perguntar ao seu contato quem mais precisará ler e o que essa pessoa costuma questionar.

A Comunidade Sebrae, em um artigo sobre precificação publicado por uma participante da comunidade (o Sebrae informa que não responde pelo conteúdo de terceiros), apresenta duas etapas: o preço considera o trabalho, os gastos e o resultado esperado, e depois o orçamento apresenta ao cliente o que será entregue. O mesmo texto afirma que é possível mostrar preço e entregas sem detalhar toda a composição interna de custos. Essa separação ajuda aqui. A composição de custos e a margem, a meu ver, não precisam aparecer na proposta, mas o que o cliente recebe, por quanto e sob quais condições precisa aparecer.

Modelo de uma a três páginas

A ordem abaixo é uma sugestão de trabalho. A ideia é que cada bloco responda a uma dúvida provável e que o contato possa copiar o trecho para um e-mail interno sem precisar reescrevê-lo.

BlocoO que deve conterDúvida que antecipa
Problema combinadoO problema nas palavras do cliente, em poucas linhas, e o que será considerado melhoraPor que estamos contratando isso?
EscopoO que está incluído, o que não está, quantidades e entregasO que exatamente vamos receber?
OpçõesDuas ou três formas de contratar, com diferenças claras de escopo, duração ou investimentoExiste alternativa mais enxuta ou mais completa?
PremissasO que depende do cliente (acessos, aprovações, pessoas) e o que muda no combinado se isso não ocorrerO que pode desviar o combinado?
Prazo e validadeInício, etapas, datas de entrega e até quando os valores valemQuando começa, quando termina, até quando decidir?
Próximo passoUma ação, com responsável e data sugeridaO que fazemos para avançar?

Sobre as opções, a Salesforce define estrutura de negócio, em material de treinamento para vendas, como os termos que definem a assinatura de um cliente, normalmente preço, número de licenças e duração do contrato. O material apresenta três arranjos comuns, com vantagens e riscos do ponto de vista de quem vende. Serve aqui apenas como referência conceitual: opções são combinações diferentes desses elementos, e cada uma deve deixar claro o que o cliente recebe e o que assume. Como os exemplos da fonte são de licenças de software, eles não mostram que alguma estrutura funcione melhor para serviços.

Exemplos hipotéticos de opções e de premissas

Imagine, de forma hipotética, uma consultoria que propõe revisar o processo comercial de uma empresa de serviços. A opção A seria um diagnóstico com relatório. A opção B incluiria, além disso, o acompanhamento da implantação por um período definido. A opção C separaria o diagnóstico da implantação, com decisão após a primeira etapa. O comprador não precisa escolher a mais cara, mas precisa entender o que muda entre elas. Por isso, cada opção deve ser descrita com as mesmas categorias (entregas, prazo, premissas, valor), o que facilita a comparação.

Nesse mesmo exemplo, o bloco de premissas poderia dizer: o diagnóstico depende de acesso aos registros de vendas e de duas entrevistas com a equipe comercial, agendadas pelo cliente. Se o acesso ou as entrevistas atrasarem, as datas de entrega são reavaliadas e o novo prazo é confirmado por escrito. Assim, quem lê sem ter participado da conversa entende o que depende de cada lado.

Itens que podem gerar dúvida jurídica ou financeira

As perguntas abaixo não afirmam regra legal, tributária ou contratual. Servem para você e o cliente levarem ao advogado e ao financeiro de cada lado, antes que o documento fique parado por falta de resposta.

  • Quem assina e com qual poder de representação a assinatura é feita?
  • A proposta vira contrato ao ser aceita, ou haverá um contrato separado? Qual documento prevalece em caso de divergência?
  • Como funcionam faturamento, vencimento e reajuste, e o que ocorre em caso de atraso?
  • Os valores informados incluem ou não impostos e outras despesas? Isso está escrito de forma explícita?
  • Como se encerra a contratação antes do prazo, e que valores seguem devidos?
  • Quem detém os materiais produzidos e os acessos criados durante o trabalho?
  • Há dados pessoais ou informações confidenciais envolvidos, e quem responde por eles?
  • O que acontece quando uma premissa não se cumpre: nova estimativa, novo prazo, aprovação por escrito?
  • Existe exigência de cadastro do fornecedor, pedido de compra ou limite de alçada (o valor máximo que cada pessoa pode aprovar) no cliente?

A última pergunta merece atenção especial, porque só o cliente sabe como funciona o seu fluxo de compra. Vale incluí-la na conversa de envio da proposta, em vez de esperar o documento chegar à mesa de alguém e parar.

Como testar o seu modelo atual

Pegue uma proposta recente, retire o nome do cliente e entregue a alguém de fora da conversa. Peça que responda por escrito, em cinco linhas, qual problema será resolvido, o que será entregue, quanto custa, quando começa e o que precisa acontecer em seguida. Depois, peça que diga o que cabe a cada lado se uma das premissas não se cumprir. Se alguma resposta divergir do que você pretendia, o ponto de ajuste provavelmente está no documento, e o bloco de premissas é um bom primeiro candidato à reescrita. Esse teste é só uma checagem de clareza e não indica que a proposta será aprovada, mas mostra onde o seu contato teria de improvisar.

Se o contexto do problema ainda estiver vago, vale revisitar as perguntas feitas antes da proposta em reunião de briefing, e deixar a gestão de mudanças para o que se combina depois, como em escopo aberto e perda de margem.