Dados e vendas

Retenção líquida de receita: o que o número diz sobre o seu SaaS?

Antes de decidir entre investir em aquisição ou na base atual, vale saber se a receita de quem já paga cresce, se mantém ou encolhe. Este texto mostra como medir isso com uma planilha simples.

Da coorte inicial à leitura do resultado. Coorte inicial: Clientes que já pagavam na data de partida Três movimentos: Cancelamento, downgrade e expansão em colunas Percentual final: Receita final da coorte sobre a inicial Pergunta seguinte: Qual movimento pesou mais e o que investigar
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A retenção líquida de receita responde a uma pergunta direta: a receita de quem já era cliente no início de um período cresceu, ficou parada ou encolheu? Acima de 100%, a base atual gera mais receita do que tinha, mesmo sem nenhum cliente novo. Abaixo de 100%, a base perde receita, e os novos clientes precisam, antes de tudo, cobrir essa perda. Esse resultado ajuda a decidir se o próximo investimento vai para aquisição ou para a base existente.

O que entra no cálculo e o que fica de fora

A Stripe chama a métrica de NDR (retenção de receita líquida) e a define como a medida de quanto uma empresa mantém a receita existente dos clientes atuais, considerando upgrades, downgrades e churn, em um período específico. A fórmula apresentada por ela é: (MRR inicial + expansão − contração − churn) ÷ MRR inicial, multiplicado por 100.

Conte apenas quem já pagava no início do período, porque a fórmula acompanha a receita daquele grupo de clientes. Assim se isola o comportamento da base que já existia, e a receita de quem chegou depois fica de fora, porque misturar os dois grupos faria o número parecer melhor do que a base realmente está.

Passo a passo com colunas separadas

Defina a coorte, que reúne todos os clientes com assinatura ativa na data inicial, por exemplo o primeiro dia de um mês. Escolha também a janela que vai acompanhar, por exemplo 12 meses. Depois, some o MRR dessa coorte na data inicial e acompanhe somente esses clientes até a data final. A planilha pode ter uma linha por cliente, com estas colunas:

  • MRR inicial do cliente na data de partida.
  • Cancelamento: o MRR inicial de quem encerrou a assinatura dentro da janela.
  • Downgrade: a queda de MRR de quem continuou, mas passou a pagar menos.
  • Expansão: o aumento de MRR de quem continuou e passou a pagar mais (upgrade, mais assentos, venda adicional).
  • MRR final do cliente na data de encerramento da janela, usado para conferir se as colunas anteriores fecham com o total.

Vale definir de antemão uma regra para quem cancela e volta dentro da mesma janela. Uma opção é comparar apenas o MRR inicial com o final, tratando esse cliente como ativo se estiver pagando na data de encerramento. Outra é registrar o cancelamento e a reativação separadamente. Qualquer das duas pode servir, desde que seja a mesma em todas as coortes comparadas.

Manter as três variações em colunas separadas é o que torna o resultado útil, porque o percentual final sozinho esconde a composição. A seção seguinte mostra isso com duas coortes hipotéticas que chegam ao mesmo número por caminhos diferentes.

Exemplo hipotético de leitura

Imagine, apenas como ilustração, uma coorte A com MRR inicial de R$ 100.000, acompanhada por 12 meses. Nessa janela, os cancelamentos somam R$ 8.000, os downgrades somam R$ 4.000 e as expansões somam R$ 15.000, todos referentes aos mesmos clientes da coorte. A conta fica (100.000 + 15.000 − 4.000 − 8.000) ÷ 100.000, ou seja, 103%.

Agora imagine uma coorte B, também hipotética, com os mesmos R$ 100.000 iniciais e a mesma janela de 12 meses, mas com cancelamentos de R$ 1.000, downgrades de R$ 1.000 e expansões de R$ 5.000. A conta é (100.000 + 5.000 − 1.000 − 1.000) ÷ 100.000, também 103%. O número é igual, mas na coorte A há perda relevante compensada por expansão, e na coorte B há pouca perda e pouca expansão. As perguntas de investigação, portanto, são diferentes. Os valores são inventados e servem só para mostrar a leitura.

ResultadoLeitura aritméticaPergunta seguinte
Acima de 100%A coorte paga mais do que no inícioA expansão vem de poucos clientes grandes ou está espalhada?
Próximo de 100%Perdas e expansões se compensamQual das duas colunas pesa mais?
Abaixo de 100%A coorte paga menos do que no inícioO maior peso é cancelamento ou downgrade?

Esse quadro descreve o que aconteceu, sem explicar o motivo. Uma variação pode vir de produto, preço, atendimento, perfil do cliente ou momento econômico, e a tabela por si só não indica qual. Para separar essas hipóteses, ajuda recortar a coorte por grupos de clientes, como porte ou plano, e ver em qual deles cada coluna se concentra. O texto sobre segmentar a base de um SaaS trata justamente de como fazer esses recortes.

Cuidados antes de comparar com benchmarks

A Stripe traz em seu texto faixas de referência atribuídas a um relatório da OpenView de 2022, organizadas por porte do cliente-alvo. A própria Stripe lembra que o parâmetro adequado depende de setor, modelo de negócio, estágio de crescimento e clima econômico. Por isso, essas faixas não servem como meta automática para a sua empresa. Comparar o seu número com ele mesmo, ao longo de coortes sucessivas, costuma ser uma base mais segura do que importar uma régua externa.

Se você já acompanha o MRR total, a retenção por coorte complementa essa visão: o artigo sobre MRR abre o total em movimentos, e aqui o foco está na coorte inicial.

Antes de mover orçamento, monte a planilha com a coorte de 12 meses atrás, preencha as colunas e calcule o percentual. Depois, anote qual das três variações (cancelamento, downgrade ou expansão) mais pesou e que dado adicional você precisaria para explicar o motivo antes de mover orçamento.