Gestão de mídia
Trocar de agência de tráfego pago sem perder o que foi aprendido
Trocar de agência não precisa ser começar do zero. O que a empresa já aprendeu fica, desde que você combine a passagem antes de a agência atual sair.

Ao trocar de agência de tráfego pago, o que a empresa leva consigo além do login? As campanhas mostram parte do trabalho, mas não explicam por que cada decisão foi tomada. Eu organizaria essa passagem antes da saída e pediria à nova agência que justificasse o que pretende preservar ou reconstruir.
Só que preservar as campanhas não basta, porque quem entra precisa saber por que cada mudança foi feita e o que continua em aberto. Eu juntaria quem sai e quem entra numa reunião e usaria os cinco pontos a seguir como roteiro. O seu papel ali é conferir as entregas e deixar claro quem responde pela operação em cada data.
1. Confira se a operação continua depois da saída
Peça à agência que sai um inventário de transição. Ele precisa mostrar o que a empresa já acessa como administradora e o que ainda depende de alguma ferramenta ou ambiente mantido pela agência. A pergunta que guia o inventário: o que deixaria de funcionar, ou de ficar acessível, no dia do encerramento?
| Frente | Evidência a cobrar na passagem |
|---|---|
| Contas e acessos | IDs das contas, acesso administrativo da empresa confirmado e vínculos com a agência identificados. |
| Pixel e públicos | Quem é o titular de cada um e o que ainda depende de acesso da agência. |
| Histórico e relatórios | Períodos analisados, definição de cada indicador e arquivos que ficam com a empresa. |
| Criativos | Materiais em uso, arquivos originais disponíveis e condições de uso por escrito. |
| Decisões e testes | Hipóteses e conclusões registradas, com o que ficou pendente. |
No Google Ads, uma agência pode trabalhar por uma conta de administrador vinculada à conta da empresa. A documentação do Google distingue esse vínculo do acesso administrativo à conta individual. Antes da saída, peça a conferência de quem administra cada conta e de eventuais dependências de faturamento e medição. Desvincular uma conta é uma etapa técnica da passagem, não o primeiro passo.
Para as demais plataformas, eu pediria a mesma conferência: qual empresa aparece como titular do ativo e quem recebeu acesso para trabalhar. A equipe que entra deve testar as permissões necessárias antes de remover as antigas, usando os recursos de acesso da plataforma, sem compartilhar senhas.
2. Reconstrua as decisões antes de julgar os resultados
Antes da saída, peça uma conversa sobre os períodos que mais pesaram nas decisões. Um relatório mostra que um indicador subiu ou caiu, mas não conta o que estava sendo testado naquele momento. A conversa serve para recuperar esse raciocínio e separar o que tem evidência do que ainda é interpretação.
O histórico de alterações do Google Ads cobre os últimos dois anos e mostra quem mudou o quê, com filtro por campanha, por usuário e por tipo de alteração. Ele registra também o que foi feito por regras automatizadas, pela API e pelo Google Ads Editor. Com isso dá para reconstruir a sequência dos fatos, mas a intenção por trás de cada decisão quem sai precisa contar.
Para cada mudança relevante, eu pediria uma ficha curta: o problema que motivou a mudança, a hipótese, o que foi alterado, o resultado que se viu e a dúvida que ficou. Se um indicador piorou logo depois, vale investigar a sequência, só que datas próximas não provam causa.
3. Combine a sobreposição e a data da passagem
Se as duas agências toparem, combine um período em que trabalhem juntas, para quem entra conferir os acessos e tirar dúvidas sobre o material recebido. Eu definiria a duração pelo que falta entregar e manteria uma regra fixa: em cada momento, só uma equipe altera campanhas.
Deixe por escrito até quando a agência atual pode mexer, em que dia a nova assume e quem atende se algo parar no meio da passagem. Combine um aceite operacional dos acessos e arquivos recebidos, com as pendências reconhecidas pelos dois lados. Esse aceite não altera, por si só, as condições de encerramento previstas no contrato.
Se não der para as duas trabalharem juntas, use documentos e confirmações escritas para conferir os mesmos itens. O registro do que foi entregue e do que ficou sem resposta passa a ser a referência da transição.
4. Preserve uma base de comparação nas primeiras semanas
Se lances, anúncios e páginas mudarem juntos, fica mais difícil separar o efeito de cada alteração. Eu pediria que cada proposta dissesse qual problema pretende resolver e como será avaliada. Sempre que possível, as mudanças maiores entram em sequência, preservando uma comparação útil.
Peça também que a agência separe o status de aprendizado dos lances do tempo necessário para avaliar as vendas. O Google distingue mudanças estruturais de ajustes de orçamento ou meta. O nome de um status na tela não basta para decidir quando o resultado comercial pode ser julgado; isso também depende do ciclo de compra e dos dados já disponíveis.
Imagine, como hipótese, que a agência nova queira trocar a estratégia de lances e a oferta da página na mesma semana. Eu pediria que ela justificasse a ordem e considerasse separar as duas mudanças. Já uma página fora do ar ou um anúncio com oferta que acabou pedem correção imediata, com o motivo anotado. Preservar o contexto não obriga ninguém a manter um erro conhecido.
5. Cobre clareza e critérios no primeiro mês
Num negócio de ciclo longo, um mês pode ser pouco para ver o efeito das mudanças nas vendas. Mesmo assim, dá para cobrar da agência nova entregas que você consegue conferir:
- Diagnóstico que separe fato observado de hipótese e aponte o que ainda falta de informação.
- Registro do que decidiram preservar e do que decidiram corrigir, com o motivo de cada escolha.
- Prioridades com responsável e critério de avaliação para cada intervenção.
- Leitura dos resultados que admita o que ainda é inconclusivo.
Com esses cinco pontos numa pauta, anotando a evidência esperada e o responsável por cada entrega, você acompanha a troca sem precisar entrar nas configurações. Se a dúvida agora é se a empresa precisa de um diagnóstico pontual ou de alguém tocando a operação todo mês, a próxima leitura é consultoria ou gestão de Google Ads.