Aquisição e economia

Como calcular CAC no SaaS sem olhar só o gasto em anúncios

O anúncio é só uma parte do custo de conquistar um cliente. Um quadro de despesas e um exemplo fictício ajudam a separar CAC, CPL e payback.

Anúncios, trabalho de aquisição e ferramentas compõem o custo dividido pelos novos clientes.
Modelo conceitual de CAC. As parcelas dependem dos critérios de apuração do negócio.

Para calcular CAC no seu SaaS, some os custos de aquisição de um período e divida pelo número de novos clientes adquiridos nele. Eu começaria conferindo essas duas listas. Se a conta usa apenas o gasto em anúncios, parte do trabalho de conquistar o cliente ficou de fora.

A fórmula por período aparece na explicação da Stripe sobre CAC em SaaS. Ela organiza a apuração, mas o resultado só pode ser comparado depois de definir quem conta como cliente e quais despesas entram. Um cadastro gratuito não deve virar cliente pagante para reduzir o número.

Primeiro defina quais clientes entram na conta

Eu contaria novas empresas que passaram a pagar pela primeira vez, se essa for a unidade comercial do SaaS. Uma empresa com dez usuários continua sendo um cliente nessa definição. Compras de planos adicionais, expansão de uma conta existente e reativação ficariam identificadas à parte, sem se misturar à aquisição nova.

Registre a condição que marca essa entrada: primeiro pagamento confirmado, por exemplo. Se seu relatório usa contrato assinado, declare essa convenção e não o compare diretamente com outro que usa pagamento. O importante é conseguir reler o registro e aplicar o mesmo critério a todos os casos.

Quando nenhum novo cliente entra no período, a divisão por zero não produz CAC igual a zero. Anote Sem novos clientes no período e preserve o custo realizado. Há dinheiro gasto e nenhum denominador para essa conta; esconder a linha mudaria a leitura do investimento.

O que eu conferiria na lista de despesas

Para montar a lista de despesas de aquisição, eu partiria dos registros financeiros: anúncios, trabalho de marketing e vendas e ferramentas usadas nessa atividade. O quadro abaixo ajuda a conferir cada parcela e declarar os critérios, em vez de estimar um total sem explicar como cheguei nele.

ParcelaO que levantarQuando o custo é compartilhado
AnúnciosGasto realizado nas plataformas.Separar aquisição nova de ações voltadas a clientes existentes, quando houver base para isso.
Equipe e prestadoresRemuneração, encargos aplicáveis, comissões e serviços ligados à aquisição.Registrar a parte atribuída à aquisição e o critério de rateio, sem somar a mesma despesa duas vezes.
Conteúdo e peçasDespesas de produção usadas para conquistar novos clientes.Identificar materiais que também atendem retenção ou outras funções e declarar a divisão proposta.
FerramentasCustos de CRM e outras ferramentas utilizadas na aquisição.Distribuir por uso ou outro critério justificável e manter esse critério documentado.

Se a mesma pessoa vende para novos clientes e acompanha renovações, incluir todo o custo como aquisição pode distorcer a medida. Excluir a pessoa porque também faz atendimento pode distorcer no sentido contrário. Eu registraria a alocação escolhida e a limitação quando não houver controle de tempo confiável.

Produto, entrega do serviço e manutenção da base não entram automaticamente como aquisição. Seus custos continuam existindo e aparecem em outras análises, inclusive na margem usada para estimar payback. Combine com o financeiro quais despesas entram nesta conta e como cada parcela será conferida.

Um exemplo fictício mostra três números diferentes

Os valores abaixo são inventados para demonstrar o cálculo. Não representam uma empresa, benchmark ou resultado de campanha. Considere um mês com 300 contatos novos e 12 empresas que fizeram seu primeiro pagamento.

Custo de aquisição do exemploValor no mês
AnúnciosR$ 6.000
Equipe e comissões atribuídas à aquisiçãoR$ 12.000
Produção e serviços de aquisiçãoR$ 4.000
Parcela das ferramentas atribuída à aquisiçãoR$ 2.000
Total usado no cálculoR$ 24.000

Dos R$ 12.000 de equipe, R$ 6.000 vêm de um profissional com custo mensal de R$ 10.000 e dedicação estimada de 60% à aquisição; os outros R$ 6.000 são de equipe e comissões. Se ele também produziu peças, esse trabalho não é somado novamente. Os R$ 4.000 de produção são despesas adicionais com fornecedores. O rateio de 60% é fictício, não uma proporção recomendada: sem registro de tempo, eu marcaria a parcela como estimada para conferi-la depois.

O CAC gerencial desse período seria R$ 24.000 ÷ 12 = R$ 2.000 por novo cliente. Já R$ 6.000 ÷ 12 = R$ 500 é apenas gasto de mídia dividido pelos novos clientes. Essa segunda conta omite as outras despesas e não mostra quais clientes foram conquistados por anúncios.

Se os 300 contatos forem os leads atribuídos àquela mídia pelo critério de medição adotado, R$ 6.000 ÷ 300 = R$ 20 é o CPL de mídia do exemplo. Para essa conta, não misture contatos de outros canais no denominador. CPL, gasto parcial por cliente e CAC respondem a perguntas diferentes.

O ciclo de venda muda como interpretar o mês

Se um comprador leva três meses entre a primeira conversa e o pagamento, os clientes que entram hoje podem ter começado a negociar antes. A conta mensal continua sendo uma medida do período, mas não prova que o gasto deste mês produziu todas aquelas aquisições.

Eu manteria a série mensal com as mesmas definições e olharia um intervalo maior quando ele ajudasse a enxergar esse atraso. Em paralelo, acompanharia os contatos pela data de entrada até a compra. Esse grupo de entradas é uma coorte; ela permite observar o tempo de amadurecimento sem misturar contatos recém-chegados com negociações antigas.

Isso não autoriza transferir todo o gasto de um mês para os clientes de três meses depois. Uma apuração por coorte precisa explicar como os custos foram atribuídos. Se o método mudar, anote a mudança e evite apresentar a diferença como eficiência conquistada.

Payback não é CAC dividido só pela assinatura

CAC informa quanto custou conquistar o cliente. Para estimar o tempo de recuperação desse custo, a ChartMogul usa receita mensal média por conta e margem bruta: payback em meses = CAC ÷ (receita mensal por conta × margem bruta). A receita inteira não está disponível para recuperar aquisição, porque há custo de atender a assinatura.

Voltando ao exemplo fictício, suponha receita mensal por conta de R$ 500 e margem bruta de 80%. A margem mensal seria R$ 500 × 0,80 = R$ 400. Com CAC de R$ 2.000, o payback simplificado seria 5 meses, não os 4 meses da divisão apenas pela receita.

Exemplo fictício: receita mensal de 500 reais com margem de 80 por cento deixa 400 reais; CAC de 2 mil reais dividido por 400 resulta em cinco meses.
Exemplo fictício e simplificado, com receita e margem constantes. Não é previsão de recuperação de caixa.

Para interpretar esse resultado, confira as condições do modelo:

  • Receita e margem constantes, com cliente pagando: cancelamento, inadimplência, mudança de plano ou custo inicial de implantação podem alterar a recuperação. Com receita ou margem zero, essa fórmula não fornece prazo finito.
  • Payback não é fluxo de caixa: pagamento anual antecipado, prazos de recebimento e desembolso de aquisição precisam ser conferidos separadamente.
  • Cinco meses não provam rentabilidade nem determinam orçamento: despesas administrativas e outros custos continuam existindo. O exemplo apenas demonstra a fórmula.

A ficha que eu preencheria antes de comparar CAC

Copie este quadro para sua apuração e preencha com os registros disponíveis. Quando faltar um dado, escreva o que falta. Um número incompleto, com limite declarado, permite uma conferência melhor do que um CAC aparentemente preciso que ninguém consegue refazer.

Campo da fichaO que registrar
PeríodoDatas inicial e final; tempo de acompanhamento das entradas.
Unidade e entrada do clienteEmpresa ou outra unidade adotada; evento confirmado que conta como aquisição nova.
Clientes novosQuantidade, registros que sustentam a contagem e tratamento de reativação ou expansão.
CustosParcelas realizadas, fontes e critério de rateio; limites dos dados disponíveis.
ContaTotal de aquisição dividido pelos clientes novos; sem resultado numérico se o denominador for zero.
ComparaçãoMesmo critério no período de referência; mudanças de canal, produto ou ciclo de venda que precisam ser consideradas.
Próxima perguntaQual parcela ou etapa precisa ser conferida antes de decidir sobre investimento?

Na ficha do exemplo, a linha Custos registraria R$ 10.000 × 60% = R$ 6.000 de equipe, com rateio estimado e sem duplicação em produção. A próxima pergunta seria como conferir o tempo dedicado à aquisição. Se essa parcela mudar depois da conferência, o CAC muda com ela; não significa, por si, que vender ficou mais caro.

Antes de procurar um CAC ideal, tente refazer o seu com essa ficha. Depois confira a parcela que mais dependeu de estimativa. Para entender a diferença entre cadastro, uso e cliente pagante, continue em como escolher um sinal de ativação do SaaS.