Estratégia

Atender todos os setores ou escolher um nicho: o que muda na venda?

Escolher um nicho significa abrir mão de setores. Veja como pontuar histórico, repetição, acesso, concorrência e custo de reaprender para decidir quais setores manter, testar ou deixar de lado.

Da pontuação à decisão por setor. Pontuar cinco critérios: Notas de 0 a 2 por setor, com fatos de apoio Manter como foco: Pontuação alta e nenhum critério zerado Testar com oferta: Pontuação intermediária, com prazo de revisão Atender sem prospectar: Pontuação baixa: manter por demanda ou sair
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Concentrar em um setor faz sentido quando você já entrega bem nele, vê o mesmo problema se repetir, consegue chegar aos compradores, enfrenta uma concorrência que você sabe enfrentar e gasta pouco para reaprender o contexto de cada cliente. Quando esses pontos não aparecem juntos, manter a oferta aberta, ou testar um setor antes de se comprometer, costuma ser mais prudente. Nenhuma dessas escolhas garante mais conversão ou preço melhor. O que o teste abaixo faz é tornar a decisão explícita.

O que a decisão de nicho realmente exige

Definir o perfil de cliente ideal descreve quem você quer atrair. A escolha de nicho vai além: ela pede que você abra mão de setores para ganhar especialização. Esse custo é concreto, porque cada setor que sai da lista é uma fonte de receita que deixa de ser buscada ativamente.

Para avaliar o que une ou separa os setores, ajuda olhar para o que o cliente tenta resolver. O Value Proposition Canvas, da Strategyzer, propõe descrever um segmento pelas tarefas que ele quer cumprir, pelas dificuldades no caminho e pelos ganhos que busca. A teoria de Jobs to Be Done, do Instituto Clayton Christensen, sugere que as pessoas contratam um produto ou serviço para fazer progresso em determinadas circunstâncias, e não apenas por pertencerem a uma categoria demográfica. A consequência prática é que setor nem sempre é a fronteira certa: dois setores diferentes podem ter o mesmo problema, e duas empresas do mesmo setor podem ter problemas distintos.

Teste de nicho: cinco critérios, nota de 0 a 2

Para comparar os setores, propomos a escala abaixo. Pontue cada um separadamente, com base em fatos que você consiga apontar (projetos entregues, conversas comerciais, dados do seu CRM), e não em impressão.

Critério012
Histórico de entregaPoucas entregas ou resultados incertosEntregas boas, mas irregularesEntregas consistentes e que você sabe explicar
Repetição de problemaCada cliente chega com uma demanda diferenteAlguns padrões, com muita adaptaçãoO mesmo problema aparece com frequência
Acesso a compradoresVocê não sabe quem decide nem onde encontrá-loChega a alguns por indicação ocasionalTem canais e contatos recorrentes
ConcorrênciaDisputa em que você não tem argumento claroDisputa equilibradaPoucos concorrentes diretos ou diferencial evidente
Custo de reaprenderCada cliente exige estudo longo do setorExige adaptação moderadaPouca adaptação, vocabulário e regras já dominados

Some os pontos de cada setor (máximo de 10). Um limiar possível, também proposto aqui e ajustável à sua realidade: 8 a 10 indica setor para manter como foco; 5 a 7, setor para testar com uma oferta e uma mensagem específicas; 4 ou menos, setor para atender sem investir em prospecção ativa ou, se o custo de atendê-lo for alto, abandonar. Se um único critério ficar em 0, vale discutir antes de seguir a soma, porque ele pode inviabilizar o setor sozinho.

Um exemplo hipotético de leitura

Imagine, hipoteticamente, uma consultoria que atende clínicas, escolas e indústrias. Nas clínicas, pontua 2 em histórico e 2 em repetição, 1 em acesso, 1 em concorrência e 2 em reaprendizado: 8 pontos. Nas escolas, soma 5. Nas indústrias, 3. A leitura seria concentrar a mensagem em clínicas, testar escolas com uma oferta própria e manter as indústrias apenas por demanda. Os números são ilustrativos e não indicam que esse resultado seja típico.

Limites do teste e como usá-lo

A pontuação organiza o raciocínio, mas não prova que um nicho vai vender mais. Ela depende da qualidade das suas evidências, e três cuidados ajudam. Primeiro, peça a outra pessoa da operação para pontuar em separado e compare as diferenças. Segundo, cheque se o problema que se repete é realmente o mesmo, usando a lógica de Jobs to Be Done: as circunstâncias que levaram o cliente a contratar são parecidas? Para aprofundar essa checagem, vale ver o texto sobre Jobs to Be Done na decisão. Terceiro, trate o resultado como hipótese para um período de teste, com critério de revisão definido de antemão.

Comece pelos três setores que mais aparecem na sua carteira e pontue cada um nos cinco critérios e escreva ao lado de cada nota o fato que a sustenta. Os setores em que você não conseguir apontar um fato são os primeiros candidatos a investigar antes de decidir.