Dados e vendas

Dados próprios de marketing: quais vale começar a guardar?

Antes de pensar em ferramenta nova, vale decidir quais registros da própria operação melhoram uma escolha concreta de investimento. Veja um inventário de cinco dados e o custo de coletar cada um.

Da operação à decisão de investimento. Decisão pendente: A pergunta que o dono precisa responder Dado que a responde: Proposta, motivo de perda, atendimento ou origem Registro com dono: Quem anota, quando e com que definição Revisão periódica: Verifica se o dado mudou alguma escolha
Ampliar diagrama

Propostas enviadas, motivos de perda, atendimentos, origem declarada e histórico de recompra são registros que podem ajudar na próxima decisão de investimento. Antes de contratar outra ferramenta, confira quais já existem no CRM, nos e-mails e nas anotações do comercial. O trabalho necessário para reuni-los depende de como a operação registra essas informações.

A lógica é inversa à de montar uma pilha de ferramentas. Em vez de perguntar o que dá para medir, pergunte qual decisão está parada por falta de informação. Se a dúvida é onde colocar a próxima verba, você precisa saber quais contatos viraram clientes. Se é por que propostas não fecham, precisa do motivo de perda. Cada dado abaixo serve a uma pergunta diferente.

Inventário de cinco dados próprios

A tabela é uma proposta de organização, não um padrão. O custo de coleta (baixo, médio ou alto) é uma estimativa qualitativa e muda conforme o tamanho do time e o sistema que vocês já usam.

DadoOnde nasceQuem registraDecisão que melhoraCusto de coletaAtenção ao consentimento
Propostas (valor, serviço, data, status)CRM ou planilha comercialComercialQuais serviços e faixas de preço merecem mais esforço de vendaBaixo, se já há CRMDados de contato de pessoas exigem cuidado no armazenamento
Motivo de perdaFim da negociaçãoComercial, com lista curta de opçõesSe o problema está na oferta, no preço ou no perfil de quem chegaBaixo a médio, pela disciplina de preencherEvite campo livre com dados sensíveis
Atendimentos (primeiro contato, dúvidas frequentes)WhatsApp, telefone, formulárioAtendimento ou SDRQue conteúdo, página ou triagem criarMédio, pelo volume de textoConversas contêm dados pessoais; defina quem acessa
Origem declaradaPergunta no formulário ou na primeira conversaCliente, anotado pelo comercialQuais canais merecem investigação mais a fundoBaixoInformação dada pelo próprio cliente, mas confirme o uso com especialista
Recompra e renovaçãoFinanceiro ou CRMFinanceiro ou sucesso do clienteSe vale priorizar aquisição ou retençãoMédio, por juntar áreasCruzar bases exige atenção redobrada

A origem declarada é um relato, e relato não prova causa. Alguém que diz ter chegado por indicação pode ter visto um anúncio antes. Use o dado para formar hipóteses e compare com o que a plataforma mostra, sem tratá-lo como verdade única.

Por onde começar sem montar um projeto

Comece pelo dado que responde à decisão mais relevante e que a equipe consegue registrar. Se a dúvida é por que as propostas não fecham, um campo de motivo de perda, com quatro ou cinco opções e observação curta, pode ser o primeiro passo. O artigo sobre win-loss aprofunda como investigar esses motivos.

Duas regras simples ajudam a manter o registro útil. A primeira é definir o que cada status significa antes de registrar (o que é proposta enviada, o que é perdida), para que duas pessoas não anotem a mesma situação de formas diferentes. A segunda é ter um único responsável por revisar os registros periodicamente, já que dado sem leitura vira burocracia.

Identificadores e consentimento: onde o dado próprio encontra a plataforma

Dados próprios também podem alimentar ferramentas de análise. O Google Analytics, por exemplo, documenta que um identificador de usuário criado por você conecta o comportamento de uma pessoa logada entre sessões e dispositivos, e recomenda não enviá-lo para quem nunca fez login. Isso só faz sentido se o seu site ou produto tem área autenticada, como é comum em SaaS. Para uma empresa de serviços sem login, o ganho está mais nos registros comerciais do que nesse recurso.

Quando há medição com cookies ou identificadores, o Google informa que quem opera o site é responsável por obter o consentimento do visitante e comunicá-lo às tags. Como isso se traduz em obrigações legais, base legal para tratar dados e prazo de guarda é assunto para um advogado ou especialista em proteção de dados, e convém consultá-lo antes de ampliar o que se coleta, sobretudo se houver conversas e dados de contato.

Qual registro começar a organizar

Liste as três decisões de investimento que você tem pela frente nos próximos meses. Ao lado de cada uma, escreva qual dos cinco dados a respaldaria e se hoje ele existe, está incompleto ou não é registrado. Escolha apenas um para começar, defina quem preenche e em que momento, e revise o resultado depois de algumas semanas de uso, para decidir se ele de fato mudou alguma escolha antes de acrescentar o próximo.