Dados e vendas

Como distribuir leads: rodízio, território ou especialidade?

Antes de contratar mais gente, vale decidir quem recebe cada lead dentro do time atual e quando ele troca de dono. Veja como comparar quatro regras e quais campos o CRM precisa guardar.

Da entrada do lead à reatribuição. Filtro de entrada: Marketing e vendas definem o que chega ao time Regra de atribuição: Rodízio, território, porte ou especialidade Prazo de contato: Sem registro, confira o atendimento antes de reatribuir Revisão no CRM: Motivo da atribuição e da troca ficam guardados
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A distribuição dos leads precisa proteger o que mais pesa na primeira conversa: velocidade, conhecimento do assunto ou equilíbrio de carga. Compare como os contatos chegam e o que diferencia os vendedores antes de escolher entre rodízio, território, porte e especialidade. Prefira uma regra que a equipe consiga explicar e manter.

Este texto trata de quem recebe cada lead dentro de um time que já existe. Se a dúvida for se vale contratar alguém para prospectar, o artigo sobre SDR cobre essa outra decisão. E se a pergunta for quantas pessoas o time precisa para a meta, veja tamanho do time comercial.

Antes da regra: o que chega ao vendedor

A Salesforce, em material educativo sobre qualificação de leads, descreve uma etapa anterior à atribuição: pontuar os leads por características da empresa (setor, tamanho, cargo do contato) e por ações (visita ao site, participação em webinar, pedido de demonstração), para que o vendedor foque nos mais promissores. A lógica serve de referência para qualquer time, mesmo sem usar aquela ferramenta.

Na prática, isso significa que a regra de distribuição só deve valer para leads que já passaram por algum filtro combinado entre marketing e vendas. Distribuir tudo, inclusive quem só baixou um material, costuma gastar a atenção do time com contatos que ainda não pediram conversa. Um critério mínimo de entrada, definido pelas duas áreas, torna qualquer regra de atribuição mais fácil de defender.

Quatro regras comparadas

A tabela abaixo é uma proposta de leitura, não um ranking. Cada regra funciona bem sob certas condições e cria tensões em outras.

RegraFunciona melhor quandoTensão a observarDado de que ela depende
RodízioVendedores têm perfil parecido e os leads são parecidos entre siLead complexo pode cair com quem tem menos repertórioLista de vendedores ativos e ordem da fila
TerritórioPresença local, visita ou regulação regional pesam na vendaRegiões com volumes muito diferentes geram carga desigualEstado ou cidade preenchidos de forma padronizada
PorteA conversa muda muito entre conta pequena e grandeFronteiras de porte ficam disputadasNúmero de funcionários ou faixa de faturamento
EspecialidadeO produto atende setores ou usos que exigem conhecimento específicoQuem é referência em um segmento pode ficar sobrecarregadoSetor ou interesse do lead bem classificado

Também é possível combinar: por exemplo, especialidade primeiro e rodízio dentro do grupo de quem a atende. Duas camadas podem ser um ponto de partida para simplificar. Antes de acrescentar outra, confira se o time consegue explicar o destino de cada lead e auditar as exceções.

Lead sem retorno: quando muda de responsável

Toda regra precisa dizer o que acontece se o vendedor não age. Uma proposta é definir um prazo para o primeiro contato e outro para a continuidade, ambos registrados no CRM, e criar um alerta quando o prazo vencer sem atividade registrada. Antes de devolver o lead à fila, o responsável e o gestor devem conferir se houve contato ainda não registrado ou falha na integração do CRM. A ausência do registro, sozinha, não prova falta de atendimento. Os números devem vir do seu ciclo de venda e da urgência típica do lead, não de uma média de mercado.

Exemplo hipotético: uma empresa de software de gestão decide que, se o lead de demonstração não tiver nenhum contato registrado até o fim do dia útil seguinte, o responsável e o gestor recebem um alerta para verificar o atendimento. Confirmada a falta de contato, o lead volta à fila com histórico e motivo preservados. A mesma checagem vale para um lead em conversa sem registro por um período maior que o ciclo habitual, evitando duas abordagens simultâneas. Os prazos são ilustrativos e precisam ser ajustados à sua realidade.

Justiça e campos do CRM

Um time aceita melhor uma regra quando entende o critério e consegue conferi-lo. Alguns pontos para avaliar: a regra é escrita e conhecida por todos; leads de qualidade parecida chegam em proporção parecida a cada pessoa, ao longo de um período combinado; a reatribuição vale igual para todos; e há um responsável por tratar exceções.

Para isso, o CRM precisa guardar poucos campos, mas bem preenchidos:

  • Responsável atual e responsável anterior, com a data da troca.
  • Motivo da atribuição (rodízio, território, porte ou especialidade).
  • Data e hora de entrada do lead e do primeiro contato registrado.
  • Data da última atividade.
  • Motivo da reatribuição, em lista fechada.
  • Campos usados pela regra: região, porte, setor.

A Salesforce observa que tornar certos campos obrigatórios lembra o vendedor de coletar a informação, cria um lugar para consulta e dá ao gestor visibilidade da carteira. O mesmo raciocínio vale aqui: sem o motivo da atribuição, não dá para revisar a regra depois.

Confira nos últimos leads qualificados quem recebeu cada contato, por qual critério e quanto tempo levou o primeiro atendimento. Se uma dessas respostas não aparece, corrija o registro antes de trocar a regra de distribuição. Sem esse histórico, será difícil saber o que a nova regra resolveu.