Estratégia
Serviço novo: como eu mediria a procura antes de investir
A discussão entre os sócios precisa sair da confiança na ideia para sinais de procura. Eu reuniria quatro evidências antes de comprometer estrutura.

Imagine uma reunião hipotética: um sócio quer contratar equipe e alugar espaço para o serviço novo; outro pergunta quem vai comprar. A discussão trava porque a confiança na ideia chegou antes das evidências de procura. Eu começaria separando o que precisa ser descoberto do que já exige comprometer caixa.
Para conferir a demanda de mercado, eu avançaria das consultas mais baratas para as evidências que exigem mais trabalho. A pesquisa inicial ajudaria a decidir qual investimento pequeno faz sentido agora. Não precisaria sustentar, sozinha, toda a estrutura do lançamento.
Começaria pelas palavras que o comprador usa
Eu pediria ao time uma lista curta com o nome do serviço, o problema que ele resolve e as alternativas usadas hoje. Antes de olhar qualquer número, conferiria se estamos pesquisando a linguagem de quem compra ou apenas o nome escolhido pelos sócios.
O Planejador de palavras-chave oferece sugestões de termos relacionados e estimativas de pesquisas mensais. Eu usaria esses recursos para ampliar a lista, sempre com região e período registrados. O recorte precisa corresponder ao mercado que o negócio consegue atender.
Se a proposta hipotética for revisão de contratos, por exemplo, o comprador pode buscar pelo serviço ou apenas por uma dúvida sobre determinada cláusula. Eu separaria essas intenções, porque procurar uma explicação não equivale a procurar alguém para contratar.
Esse levantamento estima a procura pelos termos, mas não diz quantos compradores existem nem quanto pagariam. Além disso, volume baixo não descarta a ideia: o comprador pode chamar o problema por outro nome ou buscar uma solução diferente. Ausência de busca não prova ausência de comprador; exige investigar o que ficou fora da consulta.
Depois, observaria o interesse ao longo do tempo
Com os termos organizados, eu olharia se o interesse relativo se mantém, oscila ou concentra picos. Isso ajudaria a questionar uma média de buscas que, isolada, pode esconder diferenças entre períodos.
No Google Trends, o gráfico mostra um índice relativo de 0 a 100, não quantidade de buscas. Cem não significa cem pesquisas, e duas regiões com o mesmo índice podem ter volumes diferentes. Eu cobraria essa distinção em qualquer apresentação aos sócios.
O Google também explica que termos com pouca busca aparecem como zero e que consultas com pouco interesse podem apresentar ruído estatístico. Na prática, um zero pediria outra investigação; um pico isolado precisaria de contexto antes de justificar o lançamento. O gráfico ajuda a formular perguntas, sem explicar sozinho o motivo da variação.
Estimaria quanto custa investigar com mídia
O próximo pedido seria uma previsão de cliques e custo para os termos que fazem sentido. Eu usaria essa estimativa para ver se cabe bancar um teste pequeno antes de comprometer caixa e estrutura com o serviço.
As previsões do Planejador usam dados históricos de pesquisa para estimar tráfego e custo, considerando orçamento, lance, período e outros fatores. Elas permitem explorar condições de teste, mas podem divergir do resultado real. Cliques previstos não virariam faturamento presumido na reunião.
Antes de autorizar gasto, eu definiria a pergunta do teste e quanto aceitamos gastar para respondê-la. Poderia ser: quem procura essa solução aceita discutir uma proposta concreta? Se a campanha trouxer visitas, mas não ajudar a responder essa pergunta, o aprendizado ainda estará incompleto.
Em venda consultiva, eu observaria se a pessoa avança para uma conversa em que explica o problema e mostra quem mais decide a contratação. Isso seria um sinal intermediário, ainda distante da venda. Quando houver compra direta, inclusive em um SaaS, eu observaria a compra, sem impor uma demonstração desnecessária.
Confrontaria a pesquisa com possíveis compradores
Depois das consultas e da previsão, eu conversaria com pessoas que poderiam contratar, antes de liberar o teste pago. Se já houver acesso fácil a elas, anteciparia essa etapa. A ordem de custo serve como referência, não como obrigação de deixar uma evidência acessível para depois.
Eu evitaria abrir com “você compraria?”. Preferiria pedir um episódio concreto, para entender como a necessidade aparece e o que a pessoa faz quando precisa resolvê-la.
- Qual foi a última situação em que precisou resolver isso?
- Como resolveu e o que ainda falta?
- O que faria essa necessidade ganhar prioridade?
- Quem aprovaria a contratação e quais condições precisariam estar claras?
Só depois eu apresentaria a proposta e observaria a disposição para um próximo passo concreto. Elogios não seriam tratados como intenção de compra. Mesmo uma conversa detalhada deixaria dúvidas: aquela pessoa pode ter o problema, mas não ter prioridade ou condições para contratar. Eu registraria também as respostas que enfraquecem a ideia.
Levaria uma página à reunião dos sócios
Para decidir, eu pediria uma página com quatro linhas de evidência. O time preencheria cada uma com o achado, o recorte e a dúvida restante. Assim, o dono consegue cobrar o raciocínio sem operar as ferramentas.
| Sinal | Pergunta que ajuda a responder | O que deixa em aberto |
|---|---|---|
| Termos e buscas estimadas | Como a necessidade aparece nas pesquisas? | Quantos compradores existem e quanto pagariam. |
| Interesse relativo no tempo | Como o interesse varia no recorte? | Volume absoluto e motivo da variação. |
| Previsão de cliques e custo | Cabe financiar um teste limitado? | Tráfego real, contratação e receita. |
| Conversas com compradores | Há problema, prioridade e caminho de decisão? | Se a contratação acontecerá. |
Minha recomendação seria liberar o próximo investimento conforme a dúvida mais importante. Linguagem incerta pede revisão dos termos; falta de prioridade pede aprofundar as conversas. Sinais convergentes podem justificar um teste limitado, sem encerrar a discussão sobre o mercado. Eu definiria antes qual evidência faria os sócios avançar, revisar ou interromper.
Para aplicar, peça essa página ao time antes da próxima reunião de lançamento. Se o projeto for um SaaS B2B, continue em Google Ads para SaaS B2B.
