Estratégia

Contrato fechado não é caixa: como separar receita e fluxo de caixa

Uma venda assinada só vira dinheiro disponível quando o cliente paga, e o prazo até lá depende de cada contrato (pós-pago, sinal ou antecipação). Compare esse calendário com o dos gastos de aquisição.

Da assinatura ao saldo projetado. Assinatura: Expectativa de entrada; pode haver sinal, conforme o contrato Entrega e cobrança: Custos saem enquanto a fatura pode não ter sido paga Recebimento: Conta na semana do pagamento; atrasos em cenário à parte Verba liberada: Só se o saldo respeitar o mínimo em toda semana
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Para decidir a verba de marketing do mês, projete o dinheiro disponível em cada semana pelas datas de faturamento e pagamento de cada contrato. O valor assinado representa uma expectativa de entrada; o caixa só recebe o dinheiro quando o cliente paga. Aqui tratamos do planejamento gerencial. Reconhecimento contábil e questões tributárias precisam ser avaliados com seu contador.

Por que contrato e caixa andam em calendários diferentes

A Stripe, em material sobre gestão de caixa para pequenas empresas, descreve o fluxo de caixa como o dinheiro que entra e o que sai para cobrir despesas, e lembra que, se o momento dos pagamentos não coincide, uma empresa pode ter lucro no papel e ficar sem dinheiro. O ponto vale para qualquer operação com prazo entre vender e receber.

Em contratos pagos depois da entrega, esse intervalo costuma ter várias etapas: assinatura, início do trabalho, emissão da cobrança, prazo do cliente e compensação do pagamento. Alguns contratos, porém, preveem sinal, parcela na assinatura ou pagamento antecipado, e nesses casos parte da entrada chega bem antes. Já os gastos de aquisição (mídia, comissão, ferramentas, equipe comercial) normalmente saem antes ou durante o trajeto. Por isso, uma mesma venda pode parecer boa na planilha comercial e apertada no extrato bancário, dependendo das condições de pagamento.

Uma linha do tempo hipotética

O exemplo abaixo é inventado, apenas para mostrar a lógica. Todos os marcos contam dias corridos a partir da assinatura (D+0). Imagine um contrato pós-pago, sem sinal, com entregas começando em D+5, cobrança emitida em D+35 e prazo de pagamento de 30 dias, o que leva o vencimento a D+65. Esses números são ilustrativos e não representam média de mercado.

Marco (hipotético)O que aconteceEfeito no caixa
D+0Contrato assinadoNenhuma entrada neste exemplo; gasto de aquisição já pago
D+5 a D+35Entregas em andamentoCustos de equipe e ferramentas saem
D+35Cobrança emitidaEntrada ainda é apenas prevista
D+65Vencimento da cobrançaEntrada ocorre somente se o cliente pagar
Após D+65Atraso, se houverEntrada se desloca; projetar em cenário à parte

Nesse desenho, a verba investida para fechar o contrato foi paga cerca de dois meses antes da primeira entrada. Se um sinal de, por exemplo, parte do valor estivesse previsto na assinatura, a primeira entrada viria antes e a curva mudaria, por isso a projeção deve seguir a condição de cada contrato. Se, no mesmo período, você liberar verba para outros contratos que ainda não pagaram, a necessidade de caixa se acumula sem que a planilha de vendas mostre isso.

Regra proposta para liberar a verba do mês

Esta é uma proposta de trabalho, que você pode ajustar à sua realidade. A ideia é montar uma projeção semanal de entradas e saídas para os próximos 90 dias, janela dentro da previsão contínua de três a seis meses que a Stripe recomenda, e liberar a verba só se o saldo projetado continuar acima do mínimo que você definir.

  1. Liste cada contrato com a data de assinatura, as datas previstas de cobrança e de pagamento, incluindo sinais ou parcelas antecipadas, conforme o que foi contratado.
  2. Lance as saídas fixas e as de entrega já comprometidas, semana a semana.
  3. Some cada entrada apenas na semana do vencimento (ou do sinal, quando houver), nunca na da assinatura por padrão.
  4. Defina um saldo mínimo de segurança em reais, em conversa com quem cuida do seu financeiro.
  5. Libere a verba de marketing do mês apenas se o saldo projetado, depois de descontá-la, não ficar abaixo desse mínimo em nenhuma semana da janela.

Repare que a regra olha a semana mais apertada, e não o saldo final. Um mês pode terminar positivo e, ainda assim, passar por uma semana abaixo do mínimo por causa da ordem dos pagamentos.

Cenários de atraso, separados da projeção-base

Mantenha a projeção-base com os prazos contratados e crie uma segunda versão em que as entradas mais relevantes se deslocam algumas semanas. Escolha o deslocamento com base no histórico das suas próprias cobranças, se você o tiver registrado; sem histórico, teste mais de um valor e trate o resultado como sensibilidade, não como previsão. Compare as duas versões completas, com as mesmas saídas, e só mude as datas de entrada.

Se a verba só cabe na projeção-base, uma alternativa é liberar parte agora e o restante quando as entradas previstas se confirmarem. Quem quiser conectar essa decisão ao planejamento de períodos de menor receita pode ler também como pensar a verba em um trimestre fraco.

Confira especialmente as datas de sinal, cobrança e pagamento dos maiores contratos em aberto. Nas projeções dos próximos 90 dias, localize a semana de menor saldo tanto no cenário-base quanto no de atraso. Esse aperto intermediário precisa entrar na decisão de verba, mesmo que o saldo no fim do período seja positivo.