ROI de marketing

ROI de marketing: a conta antes de dizer que a mídia se paga

R$ 5 em receita para cada R$ 1 de anúncio ainda podem deixar a aquisição no prejuízo. Veja a conta com margem, custos e prazo de recebimento separados.

Cena ilustrativa sobre rOI de marketing: a conta antes de dizer que a mídia se paga
Imagem ilustrativa gerada para o artigo, sem dados de cliente.

Imagine um relatório com R$ 5 em receita para cada R$ 1 gasto em anúncio. Parece suficiente para dizer que a mídia se paga, mas ainda falta descontar o custo de entregar essas vendas e de conquistá-las. É possível ter esse resultado no anúncio e terminar com prejuízo na aquisição. Vamos fazer a conta.

A conta que eu faria segue uma ordem: receita atribuída, margem bruta, custos de aquisição, período de observação e, só no fim, o ROI. Ela cabe numa página e serve pra cobrar o time ou a agência sem você precisar abrir a ferramenta.

Primeiro, o que o relatório está chamando de receita

Peça que o relatório separe venda fechada, dinheiro recebido e valor estimado de oportunidade. Na conta do ROI eu usaria só a venda fechada; o dinheiro recebido volta mais adiante, quando a pergunta for o caixa. Proposta aberta ajuda a acompanhar o comercial, mas ainda não é venda.

Também pediria a regra que ligou cada venda a um anúncio. Receita atribuída é só a que o relatório creditou à mídia pelo critério que alguém escolheu, e isso não prova que essas vendas dependeram só da publicidade. Antes de aumentar a verba, você precisa saber até onde esse critério sustenta a conclusão.

No Google Ads, as metas e ações de conversão configuradas determinam o que aparece nas colunas de resultado. Peça a lista de ações contadas e o valor atribuído a cada uma. Um valor estimado para formulário não pode entrar nesta conta como se fosse receita de venda.

Por que ROAS não é ROI

ROAS divide o valor atribuído às conversões pelo gasto em anúncios. Quando esse valor representa receita, um ROAS de 5 equivale a R$ 5 de receita atribuída por R$ 1 de mídia. Já o ROI de aquisição usado aqui desconta os custos de entrega e de aquisição. Nenhuma das duas contas, sozinha, prova quanto a publicidade acrescentou às vendas que aconteceriam sem ela.

No ROAS desejado do Google Ads, o sistema ajusta os lances para buscar o maior valor de conversão mantendo, na média, a relação entre valor e custo que foi colocada como meta. Quem diz quanto vale cada conversão é a própria conta. Se esse valor é uma estimativa atribuída a cada contato, o ROAS acompanha a estimativa, e eu não o trataria como retorno sobre venda.

Margem bruta e custo de aquisição do mesmo recorte

Eu usaria a margem bruta validada pelo financeiro para as vendas analisadas, depois dos custos de entregar o produto ou serviço. Se houver linhas com margens muito diferentes, calcularia por grupo e somaria. A média da empresa só serve se representar aquelas vendas.

Do lado do custo entram a mídia e a parte de agência, ferramentas e comercial que sustentou essas vendas. Pra despesa compartilhada, eu pediria um critério de rateio escrito e mantido de um mês pro outro, senão a comparação perde o sentido. E conferiria se algum custo já foi descontado na margem, pra não entrar duas vezes.

Um período que respeite o ciclo de venda

Para negócios com negociação, acompanhe as oportunidades que nasceram num mesmo período até uma data de corte compatível com o ciclo comercial. Associe a elas os gastos que de fato as sustentaram. Se estender a observação, inclua os custos adicionais daquele grupo, sem somar despesas de aquisição de outros grupos que começaram depois.

Diagrama claro com cinco faixas em sequência ligadas por setas: receita atribuída, margem bruta, custo de aquisição, período de observação e, em destaque azul, o ROI de aquisição, cada uma com o critério que deve acompanhar o número.
A conta do ROI segue uma ordem: receita, margem, custo de aquisição, período e só então o retorno. Diagrama ilustrativo, sem dados de cliente.

Até pra medir só o ROAS, o Google recomenda que o período de avaliação exclua o intervalo mais recente do tempo até a conversão. Com ciclo longo, esse cuidado pesa mais: se parte das oportunidades ainda está em negociação, eu apresentaria o resultado como provisório, com o realizado separado da projeção.

A conta completa, num exemplo hipotético

Com os passos anteriores no lugar, a fórmula fica assim: ROI de aquisição = (margem bruta das vendas atribuídas − custo de aquisição correspondente) ÷ custo de aquisição correspondente × 100. Os números abaixo são inventados só para ilustrar, com vendas e custos do mesmo grupo, acompanhados até a data de corte:

Etapa da contaValor hipotético
Receita atribuídaR$ 100.000
Investimento em mídiaR$ 20.000
ROAS sobre receita5 vezes (500%)
Margem bruta de 25%R$ 25.000
Agência, ferramentas e comercial (parte rateada)R$ 10.000
Custo de aquisição totalR$ 30.000
Margem após aquisição−R$ 5.000
ROI de aquisição−16,7%

Quem fizer a conta pela receita, (R$ 100.000 − R$ 30.000) ÷ R$ 30.000, vai encontrar um retorno de 233,3%. Só que essa conta trata como sobra o dinheiro que vai embora pra pagar a entrega. Com a margem, ela vira (R$ 25.000 − R$ 30.000) ÷ R$ 30.000, e o ROI cai para −16,7%.

O ROAS de cinco vezes continua correto dentro da definição dele. O que o exemplo derruba é a ideia de que faturar mais do que se gasta em anúncio basta pra pagar a aquisição. E mesmo um ROI positivo aqui olha só esse recorte, sem representar o lucro líquido da empresa.

O que pedir na próxima reunião

No seu lugar, eu pediria que o fechamento do mês trouxesse uma página com estes cinco campos, cada um com a origem do número:

  • Receita: vendas fechadas do grupo acompanhado até a data de corte, com a regra de atribuição escrita.
  • Margem bruta dessas vendas, validada pelo financeiro.
  • Custo de aquisição: mídia mais a parte de agência, ferramentas e comercial, com o critério de rateio.
  • Período: quando as oportunidades nasceram e qual é a data de corte.
  • ROI de aquisição calculado, marcado como fechado ou provisório.

Dado ausente vira pendência, com o nome de quem vai conferir. Ao lado da página, numa linha do tempo separada, eu colocaria recebimentos e pagamentos já realizados, porque um ROI positivo no recorte não quer dizer que a aquisição já voltou pro caixa. É essa linha que responde a pergunta do começo.

Se quiser olhar a mesma conta pelo lado do custo de cada cliente, a próxima leitura é como calcular o CAC em SaaS.